terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Propaganda do novo Fox e a ofensa ao consumidor

Fugindo um pouco do trânsito de Londrina, mas ainda no assunto automóvel.

http://www.youtube.com/watch?v=em8lwdpDEyA

Campanha do “novo” Fox, como se realizasse um Ctrl+Alt+Del na versão anterior, porém ela gera um problema maior, um estrago na memória do consumidor. As campanhas do Fox sempre foram bem boladas, interessantes, inofensivas e jovens. Essa campanha atual pisa na bola, ao ofender o consumidor.

O brasileiro é um povo bem humorado, aceitando muito bem brincadeiras e mostrando-se pacífico em várias situações. Ocorre que ao mesmo tempo em que temos esse bom humor, quando o assunto é a moral, o brasileiro continua tradicional e pouco ousado. Lidar com a traição numa propaganda de veículos é no mínimo arriscado, mesmo que com bom humor.

O consumidor conta com um código de defesa do consumidor que completou seus 19 anos e mostra-se atual. Esse código delimita os caminhos de uma publicidade correta e respeitosa. Portanto, temos limites para a propaganda, que não pode ser ofensiva ao consumidor.

Ao lidar com escárnio o tema infidelidade, a empresa pode sim ter ofendido o consumidor médio, mesmo que indiretamente. Pode parecer uma super proteção ao consumidor, como uma tutela. Ocorre que o objetivo é justamente prevenir qualquer ataque ao consumidor, por menor que seja seu potencial ofensivo.

Sem dizer que o brasileiro é danado para dar apelidos aos carros (ou pelo menos era, nos tempos de Zé do caixão, cornowagen, Belo Antonio, Bernardão), correndo o risco de este produto ser lembrado por essa propaganda infeliz.

Não custa observar que entre os opcionais há o teto solar, cuja opção no VW Sedan gerou o apelido de cornowagen, para que o “corno” pudesse passear com os chifres de fora. Dizem que o apelido acelerou a eliminação do opcional.

Outro exemplo é este aqui, em que a Fiat nos remete ao famoso apelido criado no Brasil, a “Maria Gasolina”:
http://www.youtube.com/watch?v=LWrPWkkBCQg

Ou este caso da Toyota, no exterior:
http://www.youtube.com/watch?v=uuvODq7uRqM

Coisa boba, sim, mas que ofende o consumidor. No exterior existem propagandas mais agressivas que essa, sendo uma das características do nosso Código de Defesa do Consumidor essa proteção abrangente. Portanto, estamos diante de uma violação ao direito do consumidor (por menor que seja).

Artur Machado Yamamura

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Calçada é lugar de...

Sabemos de calçada é o porto seguro do pedestre. Porém encontramos um pouco mais que isso nas calçadas de Londrina.

Segundo a legislação de trânsito não deve ter ao longo das calçadas qualquer obstáculo ao trânsito de pedestres. Caso haja ocupação das calçadas por obstáculos, é necessário que o órgão com circunscrição sob a via sinalize e crie meios para a passagem segura do pedestre.

Devemos lembrar que a colocação de placas, mesas, cadeiras e carrinhos de lanches não podem figurar nas calçadas. No mesmo sentido, os veículos não podem estacionar sobre a calçada, inclusive as motocicletas.

Mas...

E este belíssimo exemplo de como ocupar as calçadas?



Esquina da JK com a Goiás, após as obras de duplicação da Goiás.

Verifiquem que foi instalado um toldo que envolve toda calçada. Ótimo para os pedestres, perfeito para os pobres animais que estão expostos à venda. E a legislação de trânsito?

Em primeiro lugar a placa na calçada. Em segundo lugar o avanço do toldo na calçada, mesmo que numa altura superior à estatura humana. Sem contar que o imóvel ocupa todo o terreno, sem respeitar o recuo.

Londrina ainda é privilegiada por ter calçadas em altura normal, sem muitos obstáculos. Andando por outras localidades no país é incrível a diversidade de obstáculos na via e meio fio de alturas variáveis (daqueles que danificam a porta dos veículos durante a abertura).

Ocorre que calçadas coerentes com seu uso só são obtidas com fiscalização, tornando a cidade referência em acessibilidade. Não podemos esquecer que sobre as calçadas circulam os cadeirantes, pessoas com deficiência física e que tem muita dificuldade em circular nas ruas sem ajuda de terceiros.

Por fim, lugar de ciclista é na faixa de trânsito, e não nas calçadas. É um péssimo hábito dos londrinenses utilizar bicicleta nas calçadas, trazendo riscos aos pedestres. Não é difícil encontrar alguém que quase foi atropelado por uma bicicleta.

Artur Machado Yamamura

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Polêmicas do trânsito de Londrina: rotarória da JK x Higienópolis

A notícia da construção de um viaduto no cruzamento das avenidas JK e Higienópolis causou certa polêmica entre os moradores. Inclusive gerou até resposta do município num jornal da cidade, devido às críticas de um estudante em carta a um jornal da cidade. Temos outras obras polêmicas na cidade, aos poucos vamos tratar delas (pelo menos com as palavras).



O cruzamento referido acima tornou-se uma rotatória. Na década de 1980 a rotatória deixou de ser... redonda. Passou a orientar o tráfego com seu formado, em três pistas. A da esquerda reservada para conversões à esquerda, a central para seguir na mesma faixa e a da direita para conversões à direita ou seguir à frente. Resta saber se os usuários as utilizam corretamente.

Infelizmente é corriqueiro observar condutores mudando de faixa de trânsito sem motivo, fechando os outros veículos nessa e em outras rotatórias. Mesmo semaforizada, os avanços de sinal são habituais mesmo em horário comercial. A velocidade é abusiva, ainda mais levando-se em conta que nas esquinas há comércio, igreja e um grande e movimentado colégio, com travessia de escolares.

As medidas para tentar receber o fluxo de veículos existem, são bem sinalizadas e contam com um conjunto moderno de semáforos. Os problemas são: o fluxo de veículos acima do normal, a permissão de conversões, a existência de pontos de interesse no local e seu entorno e por fim, os abusos dos condutores e pedestres.


Devemos observar, em primeiro lugar, quem poderia sentir os efeitos da construção de um viaduto. Não há dúvidas que as pessoas que moram e trabalham na região vão sentir os efeitos negativos de um viaduto ao sair na rua ou abrir a janela de casa. É uma construção cinza, que pesa no visual da cidade e conta pontos negativos no turismo, pois gera marginalização da área.

Em segundo lugar, os maiores beneficiados permanecerão apenas alguns segundos nesse trecho da via. Aliás, quanto tempo se perde nessa esquina? Três, quatro minutos em horários de pico?

Alguns locais de Londrina são críticos e poderiam receber um viaduto em curto prazo, sem implicar em efeitos negativos em seu entorno. Basta observar a Av. Rio Branco e Leste Oeste, Leste Oeste e 10 de Dezembro, entre outros.


Ainda existe vida no cruzamento das avenidas JK e Higienópolis. Quando o colégio Vicente Rijo for transferido para outra área, abrirá espaço para colocação de um viaduto, sendo necessário ainda desapropriar os demais imóveis das esquinas (justamente uma das mais desejadas pelas imobiliárias). Construir um viaduto naquele local, sem espaço, será um grande desafio para o Ippul.

Por fim, este blog tentará obter mais informações sobre a questão, esclarecendo aos leitores os efeitos da obra para as pessoas (dentro ou fora de seus precisos e queridos veículos).

Artur Machado Yamamura

Ps: afanando umas fotos alheias! hehehe Mas elas tem o crédito ali na imagem. ;)


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O centro da cidade e sua importância



O Centro da cidade de Londrina foi planejado para cerca de 50.000 habitantes, ainda nos anos 1930, levando em consideração a topografia do terreno e as necessidades de uma cidade de porte pequeno. A previsão inicial de população de Londrina foi superada em dez vezes, tornando o traçado inadequado. Qual o resultado? Veremos a seguir.

Após o povoamento desordenado da Vila Casoni, a área central foi dividida em quadras de tamanhos próximos e respeitando algumas construções edificadas já existentes e outros pontos de interesse de dificil remoção, como o cemitério São Pedro. Basta lembrar que um hábito da época era implantar o cemitério no "final" da cidade.

Algumas modificações foram empregadas em 1977, com a construção do calçadão na avenida Paraná entre as ruas prof. João Cândido e Minas Gerais, em 1988, com a ampliação entre as ruas prof. João Cândido e Hugo Cabral. Em 1988, com a construção da nova rodoviária o centro recebeu uma modificação nos sentidos das vias. Ainda no final da década de 1980 a contrução do terminal urbano (retirando o velho terminal do bosque) mudou a realidade do trânsito londrinense.

Até o começo da década de 1990, Londrina sofria com ruas sem a correta ordenação, bem como contava com muitos pontos que dificultavam a fluidez do tráfego de veículos. A partir da criação do Ippul, Londrina começou a receber os primeiros trabalhos de uma engenharia de tráfego especializada, pensando em ordenação e planejamento.

Muitas ruas receberam cobertura asfáltica sobre os paralelepípedos, proibição de estacionamento em um dos lados, linhas de divisão de fluxos de mesmo sentido e sinalização semafórica nos cruzamentos cuja travessia se mostrava perigosa. Essas medidas contribuiram para o conforto, segurança e fluidez do trânsito.

Porém, como nada é perfeito, o problema de falta de estacionamento era evidente, assim como a maior fluidez da via trouxe a indesejada imprudência dos condutores, que empregavam maior velocidade nas vias devido ao maior espaço lateral. Outro problema grave foi uma reforma imprevista no terminal urbano, que modificou a Leste-Oeste, transformando-a em terminal urbano por um longe período.

Sem contar a medida infeliz de reservar faixas de trânsito exclusivas para transporte coletivo, cuja implantação durou pouco tempo devido ao estrangulamento do trânsito, gerando reclamações de condutores. Existe estudo para a volta desse método de ordenação da via; que Londrina tenha aprendido com seus erros.

Entre todas essas alterações, resta saber por que o centro ainda não virou um caos completo? Sim, porque ainda não é um caos completo. Apenas temos certa lentidão, comum desde os anos 1980 nos horários de pico e dissolvidas com certa dose de paciência e bom humor.

Como pode uma cidade viver sem grandes modificações viárias, necessárias em cidades planejadas como Maringá?



A cidade tem gargalos, como este exemplo da imagem acima. Belíssima imagem, provalmente de 1972/3. Algumas áreas tem projetos de duplicação, como a Rua Goiás. Obra necessária, porém muito distante de nossa realidade.

Antes que se diga, Londrina não tem rotatória em forma de coração. Esqueçam essa lenda (risos).

O GRANDE SEGREDO DO CENTRO DA CIDADE DE LONDRINA É....

A retirada dos pontos de interesse do centro da cidade!

Sim, o processo começou em meados da década de 1980, com a retirada do prédio da prefeitura e do fórum (atualmente biblioteca municipal) e construção do centro cívico próximo da barragem do Lago Igapó.

Na década de 1990 muitas escolas foram migrando para outras áreas, como ocorreu com o colégio São Paulo. Sem contar a quantidade de estabelecimentos comerciais que criaram raízes na avenida Saul Elkind e no Shopping Center. Outro fator que colaborou com esse fenômeno foi a ampliação da rede bancária, chegando aos bairros.

As pessoas não necessitavam mais deslocar-se ao centro da cidade para comprar, pagar contas e nem para buscar serviços. Até a unidade prisional de Londrina foi transferida para local adequado em 1993.

O grande boom imobiliário de Londrina transferiu a valorização residencial do centro para outros bairros, como próximo do lago Igapó e atrás do Shopping Center, favoreceu a uma melhor distribuição das áreas habitadas da cidade, transferindo os serviços para outras regiões.

Com essas medidas dos órgãos públicos e das empresas Londrina respirará por alguns anos. A tendência é o centro da cidade perder importância, tornando as pessoas menos dependentes de viagens até pontos de interesse em locais com trânsito difícil.

Medidas para solucionar essa futura crise?

Melhora do transporte coletivo, uso consciente, racional e moderado dos veículos, que usados de forma individual apenas prejudicam o meio ambiente e o trânsito.

Outras medidas como uso de bicicletas ou carros alugados não resolvem totalmente a questão do trânsito. É preciso investir em educação do trânsito para podermos receber de forma coerente os ciclistas nas vias, dividindo espaço com os veículos automotores. Lembrando que bicicleta elétrica ou motorizada é considerada pelo Contran como ciclomotor, sendo necessário habilitação na categoria "A" ou "ACC".

Artur Machado Yamamura

Advogado, intrutor de trânsito e um amante de automóveis.




Caro leitor, aguardamos ideias, ideias realistas e que vocês aceitariam perfeitamente para melhorar o trânsito!

Iniciando as atividades!

Boa noite!

O trânsito de Londrina-PR-Brasil não difere de outras localidades do país, com vários problemas e boas soluções aplicadas de forma sutil, que muitas vezes são ignoradas pelos usuários das vias públicas. O objetivo deste blog é identificar esses problemas e suas soluções, de forma esclarecedora, imparcial e sólida.



Crédito foto: Josoe Carvalho

Fundada em 1934, Londrina é uma cidade com aproximadamente 500.000 habitantes e com alto índice de veículos por habitante. O principal aspecto de Londrina a ser levado em conta é o traçado planejado para cerca de 50.000 habitantes, cuja largura das ruas é de cerca de 7,5 metros em média.

Soma-se a opção da classe média pelo transporte individual e os poucos recursos financeiros da cidade temos um problema de congestionamentos em alguns pontos da cidade, gerando ainda acidentes com danos materiais e humanos.

Londrina conta com o Ippul, desde 1993. Várias medidas já foram tentadas na busca por um trânsito fluído e seguro, como faixas de trânsito exclusivas para ônibus coletivos e controle eletrônico de velocidade, porém sem sucesso. Atualmente a cidade opta pela ordenação da circulação e controle de polos geradores de tráfego, além de outras medidas comuns.

Nosso objetivo é estudar as vias de Londrina, discutir soluções, apresentar curiosidades sobre a cidade e seus moradores, entre outros entretenimentos.

Sejam bem vindos!

Artur Machado Yamamura
Advogado, intrutor de trânsito e um amante de automóveis.